Jesus - Um Judeu Marginal

Texto compilado por Orlando Mota Maia sobre as palestras de Liszt Rangel, o excelente expositor pernambucano, esteve aqui em Fortaleza, no período de 19 a 22 de novembro.

Nesse tempo, ministrou quatro palestras em Casas Espíritas distintas, sobre o tema Jesus, Um Judeu Marginal. No dia 22, participou de um seminário, no Colégio Militar de Fortaleza, sob o título: O Que Jesus Disse e Não Disse; O Que Jesus Fez e Não Fez.

JESUS, UM JUDEU MARGINAL

Data: 20 de novembro de 2009

Hora: das 20 h 30 às 21 h 15

Local: Grupo Espírita Paulo e Estevão – GEPE, Água Fria (Rua Luiza Miranda Coelho nº 743).

Expositor: Liszt Rangel (jornalista, psicólogo, expositor, escritor e pesquisador pernambucano, autor dos seguintes livros, alguns psicografados e outros inspirados: “Nas Ciladas da Obsessão”, “Entre o Ciúme e o Amor”, “Eu Sou Yehoshú´a”, “O Cristianismo de Yehoshú´a”, “Lições Eternas que a Vida Sempre Ensina”, “Pensando com o Coração”, “Um Mestre em Minha Vida e “Arqueologia dos Evangelhos”, uma releitura histórica do pensamento de Jesus). E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo. .

Participantes: cerca de 150 pessoas.

DESENVOLVIMENTO:

A harmonização inicial foi feita pelo Grupo AME, que interpretou duas belas canções de seu repertório.

Edilson Botto: Informou que Liszt Rangel, começou a vir a Fortaleza em 2003. Desde 2001, iniciou um projeto relacionada à pesquisa sobre Jesus, objetivando o resgate do verdadeiro Jesus, cuja história é contada de forma diversa da original, fruto dos problemas de tradução, dos enxertos de interesse de religiões, de acomodações e de supressões. Ele irá discorrer sobre o Jesus homem, o Jesus missionário, através de uma mensagem de esperança e de amor.

Liszt Rangel: É comum nós esquecermos o verdadeiro Jesus, dando ênfase a um homem com personalidade política, que bem cabia na época, em função do jugo romano, que fazia o povo judeu, há muito dominado, almejar a chegada de um libertador, ou seja, do Messias, do Cristo. O Cristo nunca existiu. Trata-se de uma figura lendária e mítica, moldada pelas nossas mãos políticas, econômicas e religiosas. Foi criada uma nova religião, o Cristianismo. Ela não foi fundada por Jesus, que era um nazareu. Nazaré era dominada pela religião judaica. De acordo com o Evangelho de Lucas, Jesus, ao 8º dia de nascido, foi levado a uma sinagoga, onde foi circuncidado. A Torah, livro que contém a Lei Mosaica, isto é, as escrituras religiosas judaicas e também conhecido como Pentateuco, fala sobre coisas divinas e materiais, para os judeus. Citou algumas de suas instruções: a) não se pode tocar em uma mulher menstruada, porque ela está impura; b) não se pode falar com uma mulher na rua, a não ser que esteja acompanhada de um homem; c) se um carro de boi passar por cima da ovelha pertencente a uma dada pessoa, esta tem que revidar, matando uma ovelha de quem matou a sua; d) se o filho é mal-educado, os anciãos devem julgá-lo e apedrejá-lo até a morte. Trata-se de uma legislação construída por Moisés e outros profetas, com o objetivo de procurar reduzir os abusos que eram praticados. Aos 2 anos, Jesus foi levado à Casa do Livro (bêt hassefer), isto é, da Bíblia, onde 40 crianças passaram a receber ensinamentos sobre a Torah, os quais eram ministrados por um rabino. Elas tinham que memorizar aquelas escrituras, de modo que os ensinamentos sagrados fossem levados na sua alma, como se fora um pergaminho vivo. Todos deveriam saber repetir, de cor, aquilo que estava escrito na Torah, tais como os salmos e os cânticos. Jesus, nas suas pregações, repetiu muita coisa que havia aprendido na Torah. Ele adotava o estilo do profeta Daniel. A Torah constituía a base da sociedade judaica. Quem interpretava a Torah eram os sacerdotes, os quais eram escolhidos pelos imperadores romanos. Em função disso, a corrupção grassava, pois os sacerdotes viviam em constante conciliábulo com Roma. Os fariseus zelavam pela Torah. Os escribas não se davam com os sacerdotes, que não acreditavam no retorno da alma em outro corpo, bem como, não aceitavam a comunicação com os mortos, o que não acontecia com os primeiros.

Quando Jesus perguntou: O que dizem os homens quem eu sou? Os apóstolos responderam: Jeremias, Elias, Batista, que voltou... Como poderia ser Batista, que ainda estava vivo, embora preso por ordem de Herodes Antipas, assim como, pelo fato de Jesus ter cruzado seu caminho com ele que, inclusive, era seu primo carnal? Jesus arranjou inimizade com os sacerdotes e os escribas, exatamente aqueles que o levaram a Pôncio Pilatos. Pilatos disse que não via mal algum naquele homem.

Jesus não poderia ser o Messias, tão aguardado pelos judeus, pois se assim fosse, deveria exercer liderança sobre os judeus, oprimidos que estavam pelo poderio romano. “A opressão se dava numa intervenção de três ordens: uma imposição religiosa, que ocorria pela idolatria; a outra, uma tensão social e política, através das altas taxações e impostos, o que levava os judeus a tramarem motins e revoltas; e uma opressão de natureza familiar, quando jovens judias e galileias eram tomadas como escravas e levadas para as orgias nos palácios romanos, ou em outras circunstâncias, quando homens que outrora eram livres, eram mandados para as galés. O caos era social, e mais essencialmente, moral.” (Trecho extraído do livro de autoria do expositor, Arqueologia dos Evangelhos, à pág. 11). Havia uma falsa liberdade religiosa. O imperador romano deveria ser tratado como um deus. Os judeus deveriam adorar os deuses pagãos. Jesus foi confundido com um novo líder, um Messias, pelo seu perfil carismático, por falar bem, atrair a atenção das pessoas, realizar fenômenos de cura, levitação, exorcismo, transfiguração, multiplicação de pães e peixes, transformação de água em vinho, etc. Por todos esses feitos, Jesus tinha as características de um profeta, milagreiro e curandeiro. De acordo com os profetas Isaías, Malaquias e Miqueias, o Messias que haveria de vir, deveria ter o perfil de um militar e ser detentor das condições necessárias à libertação dos judeus, do jugo romano. Jesus de Nazaré não foi esse Messias, pois liderou outro tipo de revolução, através do amor, por isso, o povo judeu não o aceitou. Era um homem que dizia: Se alguém bater na tua face direita, dá-lhe a outra. Era um pacifista, não um guerreiro revolucionário. O Batista, observando seu comportamento, começou a ficar “com a pulga atrás da orelha”. Como poderia ele ser o Messias, se andava com prostitutas, velhos, pobres e crianças? As mulheres eram desconsideradas pelos judeus, ainda como consequência da primeira mulher ter feito Adão cair em tentação. Ficou constatado que 78% das pessoas queimadas na Inquisição foram mulheres, tidas como médiuns, bruxas e ciganas. A mulher era um lixo em pessoa. Não tinha direito a ler as escrituras. Batista vestiu a camisa de Elias, pois era um profeta. “Ainda no cárcere, conforme Mateus 11, 3 e Lucas 7, 19, ele manda seus discípulos perguntarem se Yehoshú´a era o Messias ou deveriam esperar outro. Esta indagação do Batista nos leva a certas reflexões: Ele vê que Yehoshuá´a não possui características de um Mashuah (Messias) e que o seu movimento está longe de insuflar no povo uma rebelião” (trecho transcrito do livro Arqueologia dos Evangelhos, pág. 34). Os zelotes (membro dos zelotes, seita e partido político judaico que desencadeou a revolta da Judeia à época de Tito -imperador romano, regn. 79-81; constituíam a ala radical dos fariseus e preconizavam Deus como o único dirigente, o soberano da nação judaica, opondo-se à dominação romanaDicionário Aurélio), ignoram Jesus; os judeus não o aceitam; quanto aos escribas (doutores que ensinavam a lei de Moisés e a interpretavam para o povo),

tinham ideias comuns com os fariseus, com os quais compartilhavam os mesmos princípios e a antipatia contra os inovadores - ESE, Introdução, nº 2, Autoridade da Doutrina Espírita), só eles sabiam ler; os fariseus, (compunham a seita mais influente, eram cumpridores rigorosos das práticas exteriores do culto e das cerimônias, cheios de um zelo ardente de partidarismo, inimigos dos inovadores, fingiam ter uma grande severidade de princípios, mas, sob as aparências de uma devoção meticulosa, escondiam costumes corruptos, muito orgulho e, acima de tudo, um desejo excessivo de dominação- ESE, Introdução, nº 3 Notas Históricas), que não tiveram muita culpa com relação ao que aconteceu a Jesus, ganharam notoriedade nos anos 70 da Era Comum. As profecias previam algo de imediato, isto é, “era uma característica dos profetas, fazer previsões que estavam na iminência de acontecer e não para se realizarem num futuro distante” (extraído do livro Arqueologia dos Evangelhos, pág. 30), o que ocorreu com relação ao Messias: ele nasceria em Belém, seria herdeiro de David, seria filho de uma jovem virgem e se chamaria Emmanuel. Jesus foi o filho mais velho de uma família numerosa (seus seis irmãos foram: Tiago, João, José, Simão e mais duas irmãs), cujo pai era carpinteiro ou um artífice ligado à construção de objetos por junção de peças, como um carpinteiro, casas (tecton – nome grego). Jesus só começa a aparecer aos 30 anos. No mundo moderno surgiram os “best-sellers”, ávidos por vender seus livros e faturar muito dinheiro, que começaram a inventar coisas a respeito de Jesus, para o período que se estendeu de sua infância até os 30 anos. Uns disseram que ele foi instruir-se com os essênios (seita judia fundada por volta do ano 150 a.C., no tempo dos Macabeus, cujos membros habitavam uma espécie de mosteiro, formando uma associação moral e religiosa, os quais se distinguiam pelos costumes suaves e virtudes rigorosas. Ensinavam o amor a Deus e ao próximo, a imortalidade da alma, e acreditavam na ressurreição – ESE, Introdução, nº 3, Notas Históricas). Outros que deu uma volta pelas galáxias, para adquirir conhecimentos. Outros, ainda, acham que ele não podia ser humano. Na verdade, chorar e adoecer, são algo divino. Yehoshú´a, Jesus, da Casa de José, não nasceu a 25 de dezembro, data do solstício, das festividades, como foi considerado por um imperador romano. Nasceu no período da primavera-verão, que se estende pelos meses de março, abril e maio. Não tem conotação para ser aceito como O Cristo ou O Messias. Os copistas consultaram os profetas, para saber a respeito desse Messias.

Roma mandou proceder um cadastro, na Judeia, e não um censo, durante o reinado de Quirino, sete anos depois do nascimento de Jesus. O cadastramento era feito onde quer que a pessoa estivesse, não sendo necessário deslocar-se para ser cadastrada no seu local de origem. Da mesma forma como atualmente, quando uma pessoa nascida em Olinda-PE, por exemplo, que agora resida em Fortaleza, não precisa ir a Olinda para declarar seus bens.

Com relação à estrela que se deslocou e ficou em frente à gruta onde nascera Jesus, para indicar sua localização aos três magos, esse astro surgiu na época de Abraão e ela não poderia jamais caminhar pelo firmamento, como foi dito que aconteceu. A profecia de Isaías cita que o Messias receberia três presentes. A partir daí foi criado o mito dos três magos, Melquior, Baltasar e Gaspar, levando de presente para Jesus, ouro, incenso e mirra. Pode-se imaginar uma mulher grávida, à véspera de dar à luz, montada em um jumento, andando por estradas poeirentas e subindo e descendo morro? Além disso, compõe, ainda, o mito, o fato de Jesus ter nascido em uma gruta, onde se encontravam um boi e um burro. “A lenda que narra o relato do massacre supostamente feito por Herodes, O Grande, aos meninos de tenra idade, na tentativa de assassinar o futuro rei de Israel, é uma repetição da matança feita por um Faraó no Egito. Ao que tudo indica, juntaram à lenda da chacina, a crueldade de Herodes para com três dos seus filhos homens, que foram executados por sua ordem. O que se percebe é que este último fato dá uma força ainda maior para o nascimento da lenda, bastando, agora, deslocar algum fato no tempo e pronto, temos uma nova história” (extraído do livro Arqueologia dos Evangelhos, pág. 10). Assim sendo, a matança foi deslocada para o tempo de Jesus, para dar legalidade a um Cristo (homem com as características de um Messias) que nunca existiu. Por todas essas controvérsias, tem-se tornado muito difícil vivenciar sua mensagem, pois ele tem sido colocado distante de nós. Como pode o Brasil, ser o país mais católico e mais espírita do mundo e ser, também, o mais corrupto de todos? É o país com a maior taxa de juros do mundo. Até julho deste ano foram praticados 1.380.000 abortos, no Brasil. De janeiro a abril deste ano, morreu mais gente no Rio, vítima de crimes, do que em toda a Guerra do Golfo. Suicídios, violência doméstica, depressão, transtorno do pânico e da ansiedade e um sem número de outras mazelas, vêm dominando o cotidiano dos brasileiros, no entanto, alardeamos que estamos produzindo nosso petróleo, que o pré-sal será nossa redenção econômica; dispomos de inúmeras fábricas de automóveis modernos; as comunicações por telefonia são as mais numerosas e avançadas do mundo. Para que tudo isso, se pecamos, terrivelmente, contra a vida humana? Só pode ter algo errado nisso tudo. As religiões nos colocaram culpas. A grande maioria de nós já foi católica. Pensamos como católicos e somos culpados ou nos sentimos assim, como católicos. É necessário desmistificar Jesus, que desapareceu. Seguimos um Cristo. Não precisamos de um Cristo, pois ele nunca fez nada de bom para nós. Jesus fez, pouco, é bem verdade, porque o perdemos de vista, há muito tempo. Ele ainda vaga pelo litoral de Cafarnaum. Desconhece fronteiras. Yehoshuá´a era um judeu marginal, preocupado em chamar a atenção de outras etnias. Ele não se importava em lavar as mãos antes de tomar o alimento, como preconizavam as leis judias, mas dizia que “não é o que entra pela boca que torna o homem impuro, mas sim o que sai dela”. Dizia para honrar nosso pai e nossa mãe, e não aceitava que pais e mães passassem fome, enquanto os filhos se vangloriavam, por terem dado dinheiro ao templo. Era contundente, com relação a esse aspecto. O homem revolucionário desapareceu. Kardec não considerava o Espiritismo uma religião, acrescentando que isso só aconteceria quando existisse fraternidade entre os espíritas. O mundo está cansado das religiões, de todas elas. O mundo está precisando de ação. São três os pilotis da verdade de Jesus, que precisam ser considerados:

O primeiro é o `teshuvá`. “João Batista colocava como atitude predecessora ao batismo, o arrependimento. Em hebraico diz-se, `teshuvá`, arrependimento dos equívocos cometidos e, consequentemente, a busca pelo perdão divino. O `teshuvá´ é muito mais do que um simples arrependimento; é o retorno do indivíduo à sua essência divina” (extraído do livro Arqueologia dos Evangelhos, pág. 30). Resgate você mesmo. Descubra-se. Para mudar de comportamento é preciso arrepender-se. Receba o sopro sagrado (não o Espírito Santo) que lhe é enviado pelos espíritos superiores. Temos o direito de errar, mas também temos o direito de reparar nossos erros.

O segundo é a `emoná`. Trata-se de aderir ao pensamento, à fé incondicional (sem condições) em Deus. “Embora sendo maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos” . Qual é o pai em que o filho pede pão e ele dá pedra? Acredite em Deus, pois Ele é infinitamente superior a qualquer pai terreno. Falou sobre a passagem da cura do servo de um centurião romano, ocorrida após o diálogo com o povo, à entrada de Jesus em Cafarnaum. “Tratava-se do servo de um centurião, a quem este muito estimava, que estava doente, quase à morte. Tendo ouvido falar a respeito de Jesus, o centurião enviou-lhe alguns anciãos dos judeus, pedindo-lhe que viesse curar seu servo. Estes, chegando-se a Jesus, com instância lhe suplicaram, dizendo: Ele é digno de que lhe faças isto; porque é amigo do nosso povo, e ele mesmo nos edificou a sinagoga. Então, Jesus foi com eles. Já perto da casa, o centurião enviou-lhe amigos para lhe dizer: Senhor, não te incomodes, porque não sou digno de que entres em minha casa. Por isso, eu mesmo não me julguei digno de ir ter contigo; porém manda com uma palavra, e o meu rapaz será curado. Porque também eu sou homem sujeito à autoridade, e tenho soldados às minhas ordens, e digo a este: vai, e ele vai; e a outro: vem, e ele vem; e ao meu servo: faze isto, e ele o faz.
Ouvidas estas palavras, admirou-se Jesus dele e, voltando-se para o povo que o acompanhava, disse: Afirmo-vos que nem mesmo em Israel achei fé como esta. E, voltando para casa os que foram enviados, encontraram curado o servo.
(Lucas 7:1-10)”. Isso aconteceu com alguém que era politeísta, pagão e romano, mas que demonstrou ter fé.

O terceiro é o amor, pedra de toque de sua mensagem, que também fazia apologia à misericórdia (vem de cordis – coração em latim) e à compaixão (compartilhar a paixão).

Quem vai tirá-lo da cruz? Nós todos, quando formos adeptos de sua mensagem de sabedoria.

A prece de encerramento foi feita pelo palestrante.

Dados compilados por Orlando Mota Maia, trabalhador do Centro Espírita Aurora Redentora-CEAR, que pede desculpas por alguma impropriedade, fruto de sua incapacidade de traduzir, com fidelidade, o pensamento do expositor.
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escrito por Juliana Santos, março 25, 2010
Orlando obrigado por nos transmitir palavras tão sábias e de tamanho amor. Estou a procura de palestras de Lizst a bastante tempo...Agradeço a Deus por saber que temos em nosso meio pessoas tão responsável por levar os ensinamentos de Deus assim como ele tão bem faz.


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